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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O fim das festas


Nos últimos meses o assunto da vez foi o fim do mundo. Engraçado pensar que as pessoas ainda perdem tempo acreditando nisso. Como seres humanos tão conscientes e racionais preferem acreditar no fim dos tempos a terem o trabalho de viver de verdade. Como é possível ver o quanto estamos desacreditados de nós mesmos e completamente incapacitados de nos transformar. Como a culpa e as desculpas passaram a estar tão presentes em nossas vidas. Como ficou fácil fracassar, já que nem aprender com os erros somos capazes mais. O erro faz parte da vida, mas a incapacidade de vê-los nos faz ignorante. Como nos tornamos pessoas estúpidas uma com as outras, que falta de compreensão e paciência com o outro! Que falta de carinho e amor! Nunca vi tantos casais casando ou escolhendo estar juntos por motivos tão errados e vendo que suas escolhas são meros caprichos tomados em momentos de solidão e tristeza. Como as pessoas deixaram de acreditar na família e na constituição de uma por puro comodismo em esperar algo do outro, como casais banalizaram o estar junto como uma coisa normal e passageira. Afinal ninguém é obrigado a ficar com ninguém, e ninguém quer se dar o trabalho de estar ou se manter com alguém. Como as pessoas passaram a se esconder em bebidas e se descobriram tão carentes de coragem que escolhem a não vontade. Não vontade de mudar, de querer ser melhor, de se transformar. Acreditam que quando estamos bêbados somos mais verdadeiros, a verdade não passa de uma farsa para o comodismo que nos encontramos. Quero cara lavada, com felicidade estampada sem truques, sem mascaras, quero ver a tristeza real, doida na alma, não escondida por bebidas. Viver!!! Não se esconder. E aprender a ter limites, aprender a ter controle sobre quem somos e quem seremos. Ser real. Como a rotina e falta de amor paralisou pessoas antes amáveis e vivas. Nos tornamos escravos de desculpas e medos, por falta de coragem de encarar a vida como ela é. Que mania insistente em queremos o bem no natal, em desejarmos momentos melhores para o próximo ano. É preciso esperar 365 dias se passarem despercebidos para ai sim enxergarmos o quanto de tempo desperdiçamos tendo a certeza, mais incerta que conheço, de que nada nos acontecerá de ruim. Quanta pequenez de atitudes pautadas em reações e conseqüências inesperadas. Que bem é esse que fazemos e esperamos algo em troca? Que gratidão é essa que tanto queremos dos outros. Ora! Isso nunca foi o bem e jamais será. Se desprendermos da vaidade, ego e poder quem sabe começaremos a sentir o que realmente é viver. Bando seres humanos cujo objetivo não passa de um egoísmo e uma espera de que o outro nos deve alguma coisa. Nós que devemos a nós mesmos o poder da compreensão e do amor ao próximo. O pior erro do ser humano é achar que amar é fácil, que olhar o outro é fácil, que ajudar é fácil, que ter paciência é fácil  Difícil é fazer guerra, é matar, é não ajudar, é ignorar o outro, é passar despercebido ou fingir que não viu o problema do outro, porque já bastam os nossos! Confuso dizer o que é fácil e difícil, mas uma coisa eu garanto! Difícil é aceitar tantas e tantas pessoas se preocuparem com seus próprios umbigos e mais difícil ainda é saber que o fim, nunca será o fim se não aprendermos com o caminho percorrido. E que cuidado com quem amamos e com quem não gostamos é um dos maiores bens da nossa alma. Orai e Vigiai! Vigiai suas palavras para não agredir, vigiai suas atitudes para não machucar, vigiai seus pensamentos para não nos afastarmos do bem, vigiai a cada segundo! E confiai em Deus para nos ajudar e guiar a sermos melhores. O fim das festas só nos faz lembrar que passou um ano inteiro e sinceramente, pouquíssimas pessoas vão se lembrar do que foi bom, e a grande maioria vai reclamar e se sentir insatisfeitos. O fim das festas nos prova o quanto precisamos crescer e ver a vida como realmente ela é. Real. Sem contos de fadas. Com asas, muitas asas, muito brilho, mas com alma e verdade e respeito para nos prendermos ao chão. E nos realizarmos nos céus. Com mais fé e infinita fé na transformação e mudança e adaptação e respeito e amor. Amor sem trocas e agressões. Amor real. Amor sem fim.

"A felicidade real é uma casa que se constrói por dentro da própria alma".